Quem anda por Campo Grande,
especialmente pela Estrada da Cachamorra, percebe rapidamente um padrão:
academias e farmácias surgem em ritmo acelerado, como se fossem a única
resposta possível para o crescimento do bairro. A cada nova obra anunciada, lá
estão elas novamente, repetindo um modelo que parece já saturado.
Não se trata de negar a
importância desses serviços. Eles são necessários, fazem parte do cotidiano e
movimentam a economia local. O problema é quando o desenvolvimento passa a
ser apenas isso, ignorando necessidades muito mais urgentes da população.
Crescimento sem planejamento
não é progresso
Campo Grande é um dos bairros
mais populosos do Rio de Janeiro, mas segue convivendo com carências
estruturais graves. Falta um novo hospital público, faltam escolas
técnicas públicas, faltam centros culturais, espaços para eventos
e exposições e, principalmente, falta infraestrutura urbana eficiente.
Basta uma chuva mais forte para o
problema aparecer: ruas alagadas, trânsito travado e moradores ilhados. Em
muitos pontos, as vias viram verdadeiros piscinões, escancarando a precariedade
do sistema de drenagem e escoamento das águas.
Estrada da Cachamorra: vitrine
imobiliária, mas a que custo?
A Estrada da Cachamorra
virou a “bola da vez”. estão anunciando mais um Condomínio com prédios de luxo,
vão inaugurar duas novas academias e uma farmácia, estão anunciando um grande
comércio na área de alimentação, novos empreendimentos comerciais surgem e a
promessa de polos gastronômicos e um Shopping começa a ganhar força. Tudo isso
poderia ser excelente, se viesse acompanhado de planejamento urbano.
Mas a pergunta que fica é
inevitável: onde estão as melhorias estruturais para suportar esse
crescimento?
- As
ruas continuam estreitas.
- O
trânsito segue sobrecarregado.
- As
linhas de ônibus não acompanham a demanda.
- A
drenagem continua falhando.
Construir mais sem preparar o entorno não é desenvolvimento,
é empurrar o problema para frente.
Estrada do Cabuçu: potencial esquecido
Já a Estrada do Cabuçu tem enorme potencial, mas
parece caminhar à margem do planejamento estratégico. É uma via importante, com
espaço para crescimento organizado, mas que ainda carece de investimentos mais
consistentes e de um comércio diversificado.
O comércio é fundamental para girar a economia, mas ele
precisa ser pensado com inteligência, não apenas replicado.
O que Campo Grande realmente precisa agora
Antes de mais uma academia ou farmácia, Campo Grande precisa
discutir prioridades:
- um hospital
público moderno;
- uma escola
técnica pública;
- um centro
cultural ativo, que valorize artistas e projetos locais;
- um centro
de exposições e eventos;
- investimentos
reais em saneamento, drenagem e mobilidade urbana.
Esses equipamentos não apenas melhoram a qualidade de vida,
como também fortalecem o comércio existente e valorizam todo o bairro.
Um recado direto, mas necessário

Comentários