Rio da Prata celebra o “CAQUI” e mostra a força da cultura quilombola na Zona Oeste do Rio

 

O tradicional Festival Cultural do Caqui da Agroprata chega à sua 16ª edição em 2026 com um novo símbolo de identidade, resistência e valorização cultural: o “CAQUILOMBOLA”. Muito mais do que uma festa gastronômica, o evento reafirma a importância do Rio da Prata, em Campo Grande, como um dos grandes polos de agricultura familiar, cultura quilombola e agroecologia da cidade do Rio de Janeiro.

O festival acontece no dia 17 de maio de 2026, das 8h às 14h, na Praça Elza Pinho Osborne, no Largo do Rio da Prata, reunindo moradores, agricultores, visitantes, artistas e famílias em uma verdadeira celebração das raízes da Zona Oeste.

Um território que resiste através da terra

Localizado aos pés do Maciço da Pedra Branca, o Rio da Prata carrega uma história marcada pela resistência das comunidades quilombolas e pela preservação de tradições agrícolas que atravessam gerações.

Dentro dessa trajetória de luta e preservação cultural, o Quilombo Dona Bilina possui papel fundamental. O quilombo representa a memória viva da ancestralidade negra na região, fortalecendo práticas culturais, saberes tradicionais, agricultura familiar e a identidade do território quilombola do Rio da Prata.

A participação do Quilombo Dona Bilina no “CAQUILOMBOLA” reforça a importância de reconhecer e valorizar comunidades que historicamente resistem à invisibilidade, ao abandono e às dificuldades enfrentadas pelas populações tradicionais da Zona Oeste.

Em tempos em que áreas rurais e comunidades quilombolas sofrem pressão urbana e falta de investimentos, o festival surge também como um ato de resistência cultural e de combate ao racismo ambiental, protegendo as roças quilombolas e fortalecendo os laços comunitários.

O caqui virou símbolo cultural

O caqui, fruta abundante na região, deixou de ser apenas um produto agrícola e se transformou em símbolo de pertencimento, memória e geração de renda para dezenas de famílias agricultoras.

Durante o festival, o público poderá experimentar diversas receitas produzidas com a fruta, como:

  • bolo de caqui;
  • sucos;
  • nhoque;
  • doces;
  • receitas flambadas;
  • além de produtos artesanais e orgânicos.

A programação inclui ainda feira orgânica, apresentações culturais, artesanato, contação de histórias, vivências quilombolas e atividades ligadas ao turismo de base comunitária.

Agroprata e Quilombo Dona Bilina: união entre agricultura e ancestralidade

A realização do festival envolve o trabalho coletivo da Associação dos Agricultores Orgânicos da Pedra Branca — Agroprata — e das lideranças quilombolas locais, entre elas o Quilombo Dona Bilina, que ajudam a manter viva a relação entre terra, cultura e ancestralidade.

A Agroprata é referência na produção orgânica e uma das maiores produtoras de caqui do estado do Rio de Janeiro. Já o Quilombo Dona Bilina simboliza a continuidade da história e da resistência negra no território, preservando tradições, memórias e práticas comunitárias fundamentais para a identidade cultural do Rio da Prata.

Essa união mostra que o desenvolvimento sustentável da região passa necessariamente pela valorização da agricultura familiar, dos povos tradicionais e da preservação ambiental.

Um chamado às autoridades públicas

O “CAQUILOMBOLA” também se transforma em um importante recado ao poder público: o Rio da Prata merece mais atenção, investimentos e valorização.

A região possui enorme potencial cultural, ambiental, histórico e turístico, mas ainda enfrenta desafios relacionados à infraestrutura, mobilidade, preservação ambiental e incentivo às comunidades tradicionais.

Reconhecer a importância do Quilombo Dona Bilina, da Agroprata e dos agricultores do Rio da Prata é reconhecer a riqueza cultural da Zona Oeste e entender que preservar esses territórios significa preservar história, identidade e dignidade.

Concurso Culinário Caquilombola promete movimentar o festival

Entre os destaques da edição 2026 está o aguardado Concurso Culinário Caquilombola, que vai desafiar participantes a criarem receitas criativas utilizando o caqui como ingrediente principal.

A iniciativa busca incentivar talentos locais, promover a gastronomia regional e aproximar ainda mais a população da riqueza cultural e agrícola do Rio da Prata.

Mais do que um concurso, será uma celebração da criatividade popular e da conexão entre alimento, memória e tradição.

Uma festa que nasce da terra e floresce no quilombo

O “CAQUILOMBOLA” já se consolida como um dos eventos culturais mais simbólicos da Zona Oeste carioca. É uma festa construída pelas mãos de agricultores, quilombolas, artistas e moradores que mantêm viva a essência do Rio da Prata através da cultura, da terra e da ancestralidade.

Prestigiar o festival é apoiar a agricultura familiar, fortalecer o Quilombo Dona Bilina, valorizar a Agroprata, valorizar os artistas e grupos culturais da região e reconhecer que a Zona Oeste possui territórios ricos em história, cultura e resistência, que merecem ser vistos e tratados com mais respeito pelas autoridades públicas e por toda a cidade do Rio de Janeiro.


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