Falar do mês de maio em Campo
Grande é, para muitos moradores da Zona Oeste do Rio de Janeiro, recordar
imediatamente da tradicional Sociedade Musical 10 de Maio, um dos espaços mais
marcantes da vida cultural, social e carnavalesca da região ao longo do século
XX.
Fundada na década de 1940, a
Sociedade Musical 10 de Maio nasceu da união de músicos, moradores e
apaixonados pela cultura local, entre eles Francisco Caldeira de Alvarenga, com
o objetivo de manter viva uma banda musical que se reunia na antiga Rua Coronel
Agostinho, atual Calçadão de Campo Grande. O nome do clube fazia referência
justamente à data de fundação da sociedade, celebrada em 10 de maio.
Localizada na Avenida Cesário
de Melo, nº 3461, a sede tornou-se uma verdadeira referência para gerações de
moradores. O espaço era conhecido pelo grande salão de festas, o famoso
varandão, palco, camarins e até uma piscina, posteriormente aterrada entre as
décadas de 1950 e 1970. Durante décadas, o clube foi palco de bailes
inesquecíveis, festas familiares, concursos, apresentações musicais e animados
carnavais que movimentavam toda a Zona Oeste.
Nos tempos de ouro, o 10 de
Maio, era muito mais do que um clube social. Era um ponto de encontro da
comunidade, onde amizades eram construídas, famílias se reuniam e talentos
culturais ganhavam espaço. O local também teve importância histórica para o
samba da região, sendo reconhecido como a primeira quadra do GRES Sereno de
Campo Grande, reforçando sua ligação direta com a tradição carnavalesca do
bairro.
Teve seu apogeu com o Sr.
Carlúcio Garcia Goulart e entre os nomes lembrados por antigos frequentadores e
associados está o de Dalberto Gomes, figura bastante conhecida entre os sócios
atuantes da instituição e participante ativo da vida social do clube. Assim
como ele, diversos moradores ajudaram a construir a história do 10 de Maio,
mantendo viva uma tradição que marcou profundamente Campo Grande.
Os grandes bailes
carnavalescos promovidos pela Sociedade Musical 10 de Maio ficaram eternizados
na memória popular. Em uma época em que os clubes sociais eram o principal
centro de convivência cultural, o 10 de Maio reunia famílias inteiras em noites
de música, dança e celebração, tornando-se símbolo de elegância e diversão para
a juventude e para os moradores da região.
Hoje, o espaço já não mantém
suas atividades originais. A antiga estrutura foi descaracterizada ao longo dos
anos e o local funciona predominantemente como estacionamento. A fachada
histórica desapareceu, e parte da memória física do clube acabou se perdendo
com o tempo. Ainda assim, o nome Sociedade Musical 10 de Maio permanece vivo na
lembrança afetiva de antigos moradores e na história cultural de Campo Grande.
Mais do que recordar um antigo
clube, revisitar a trajetória da Sociedade Musical 10 de Maio é reconhecer a
importância dos espaços culturais comunitários na formação da identidade da
Zona Oeste. O clube representa uma época em que a cultura local florescia
através da convivência, da música e das tradições populares que ajudaram a
construir a história social de Campo Grande.

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