Adelino Moreira, desolado em meio às obras: será que agora Campo Grande vai dar o devido valor à sua história?

 

Reforma do Calçadão da Barcelos Domingos reacende a esperança de valorização da escultura do compositor, esquecida por anos entre ambulantes, lixo e abandono.

As obras de reforma do Calçadão da Barcelos Domingos, em Campo Grande, começaram e, pelo que se pode observar, parecem seguir um planejamento mais organizado do que o realizado no outro lado do bairro. A impressão é de que a intervenção está promovendo uma renovação de verdade, com a substituição de estruturas e a expectativa de entregar um espaço mais bonito e agradável, quem sabe até mais atraente do que o Calçadão da Coronel Agostinho.

Mas, em meio às mudanças, um detalhe chamou a atenção: a escultura de Adelino Moreira, compositor que deixou sua marca na música popular brasileira, agora parece ainda mais desolada em meio ao cenário de obras.

Por muitos anos, a escultura esteve ali, praticamente invisível aos olhos de quem passava. Não por falta de importância, mas porque o entorno parecia conspirar contra ela. Ambulantes, caixas de papelão, lonas, cordas, lixo e outros obstáculos acabavam escondendo a homenagem. Adelino Moreira estava no calçadão, mas poucos pareciam notar sua presença.

Como se não bastasse o abandono visual, a escultura também sofreu, ao longo dos anos, sucessivos furtos e atos de vandalismo. A mesa e as cadeiras originais de bronze, que compunham o cenário boêmio, desapareceram. Restou a figura do compositor sentada, isolada, como se a própria homenagem tivesse sido condenada à solidão, um paralelo involuntário com a melancolia de tantas canções que marcaram gerações.

E agora, senhor subprefeito?

É justamente neste momento de transformação que fazemos um apelo ao subprefeito da região: que aproveite as obras para devolver à escultura de Adelino Moreira o destaque que ela merece.

A reforma não pode se limitar ao piso e às estruturas do calçadão. É preciso recuperar também a memória, a identidade e a história de Campo Grande.

Senhor subprefeito, que tal aproveitar essa oportunidade para valorizar o monumento, garantir um espaço adequado ao seu redor para que se possa fazer neste local um sarau de música, poesia e arte e instalar uma placa informativa sobre a trajetória do compositor?

Afinal, de que adianta construir um calçadão mais bonito se continuarmos deixando nossa história sentada, sozinha, em um canto?

Não se trata apenas de embelezar um espaço público. Trata-se de preservar um patrimônio que valoriza a cultura de Campo Grande e da Zona Oeste, além de resgatar a memória de um compositor cuja obra atravessou gerações.

Esperamos que, desta vez, Adelino Moreira deixe de ser apenas uma figura esquecida no calçadão e passe a ocupar o lugar de destaque que lhe cabe.


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