No coração de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, o Largo do
Rio da Prata, oficialmente Praça Elza Pinho Osborne, tornou-se um retrato
incômodo da negligência do poder público municipal. O que poderia ser um
cartão-postal de valor histórico, cultural e turístico segue relegado a um
estado crônico de abandono, apesar de sucessivas promessas de revitalização.
Moradores convivem diariamente com a precariedade da
infraestrutura: iluminação deficiente, necessidade constante de manutenção e
ausência de um projeto paisagístico que dialogue com a relevância do espaço.
Ao fundo, a imponente Igreja Nossa Senhora das Dores
permanece como testemunha silenciosa de um cenário que, em vez de valorizá-la,
a desmerece.
É preciso reconhecer: a limpeza periódica realizada pela COMLURB,
especialmente aos domingos, é um ponto positivo. No entanto, ações pontuais não
substituem políticas estruturais. O problema do Largo do Rio da Prata não é
apenas de manutenção, é de visão.
Falta ordenamento urbano. Falta acessibilidade. Falta
planejamento que enxergue o potencial turístico e cultural do espaço. O que
poderia ser um polo de visitação, convivência e geração de renda segue tratado
como um espaço qualquer.
Iniciativas da sociedade civil tentam preencher esse vazio.
O Coletivo Cultural Rio da Prata, por exemplo, há uma década promove ações
culturais no local, como saraus itinerantes que literalmente circulam pela
praça em busca de público e espaço. A tradicional Feira Orgânica enfrenta
limitações estruturais, A Feira de Artes e Moda que existia, simplesmente sumiu,
enquanto ciclistas e trilheiros, frequentadores assíduos, não encontram sequer
condições adequadas para usufruir do espaço, e quem sabe “beber da fonte”, pois
não se tem acesso digno à própria fonte.
O abandono também impacta diretamente a mobilidade no
entorno desses monumentos e ao comércio. Falta organização nos pontos finais de
ônibus, como uma cobertura, inexistem áreas adequadas de estacionamento, as
calçadas carecem de melhorias e o entorno, incluindo o Caminho do Morro dos
Caboclos, e a Estrada do Viegas, segue sem urbanização adequada. A consequência
é clara: um território com vocação para o turismo cultural e gastronômico
permanece subaproveitado.
E a pergunta que fica especialmente para os gestores
públicos do município do Rio de Janeiro. Vai ficar assim até quando?
O Largo do Rio da Prata não precisa de promessas. Precisa de
ação concreta, planejamento técnico e compromisso político. Transformar o
espaço em um polo turístico, cultural e gastronômico não é utopia, é uma
questão de prioridade.
Enquanto isso não acontece, o abandono segue como política
silenciosa, e a história do lugar continua sendo escrita não pelo cuidado, mas
pela omissão.
(Silmo Prata - jornalista, professor e agente cultural)





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