Largo do Rio da Prata: abandono anunciado em um dos cenários mais simbólicos da Zona Oeste

 




fonte Google

No coração de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, o Largo do Rio da Prata, oficialmente Praça Elza Pinho Osborne, tornou-se um retrato incômodo da negligência do poder público municipal. O que poderia ser um cartão-postal de valor histórico, cultural e turístico segue relegado a um estado crônico de abandono, apesar de sucessivas promessas de revitalização.

Moradores convivem diariamente com a precariedade da infraestrutura: iluminação deficiente, necessidade constante de manutenção e ausência de um projeto paisagístico que dialogue com a relevância do espaço.

Ao fundo, a imponente Igreja Nossa Senhora das Dores permanece como testemunha silenciosa de um cenário que, em vez de valorizá-la, a desmerece.

Foto: Silmo Prata
O descaso torna-se ainda mais evidente na forma como os elementos históricos vêm sendo tratados. O coreto, símbolo tradicional de convivência e memória urbana, encontra-se desfigurado, vítima de intervenções improvisadas e descaracterização. Tubulações expostas do programa Rio+Saneamento invadem o espaço visual de maneira desordenada, enquanto ocupações irregulares avançam sem qualquer fiscalização efetiva.

Foto Silmo Prata

Outro ponto emblemático é a antiga fonte, ou “bica”, como é conhecida pelos moradores. Hoje, ela praticamente desapareceu sob intervenções inadequadas, reduzida a uma torneira plástica que não comunica sua importância histórica. Muitos sequer sabem de sua existência, um apagamento simbólico que revela a falta de sensibilidade na gestão do patrimônio local.

Fotos: Malu Ravagnani

É preciso reconhecer: a limpeza periódica realizada pela COMLURB, especialmente aos domingos, é um ponto positivo. No entanto, ações pontuais não substituem políticas estruturais. O problema do Largo do Rio da Prata não é apenas de manutenção, é de visão.

Falta ordenamento urbano. Falta acessibilidade. Falta planejamento que enxergue o potencial turístico e cultural do espaço. O que poderia ser um polo de visitação, convivência e geração de renda segue tratado como um espaço qualquer.

Iniciativas da sociedade civil tentam preencher esse vazio. O Coletivo Cultural Rio da Prata, por exemplo, há uma década promove ações culturais no local, como saraus itinerantes que literalmente circulam pela praça em busca de público e espaço. A tradicional Feira Orgânica enfrenta limitações estruturais, A Feira de Artes e Moda que existia, simplesmente sumiu, enquanto ciclistas e trilheiros, frequentadores assíduos, não encontram sequer condições adequadas para usufruir do espaço, e quem sabe “beber da fonte”, pois não se tem acesso digno à própria fonte.

O abandono também impacta diretamente a mobilidade no entorno desses monumentos e ao comércio. Falta organização nos pontos finais de ônibus, como uma cobertura, inexistem áreas adequadas de estacionamento, as calçadas carecem de melhorias e o entorno, incluindo o Caminho do Morro dos Caboclos, e a Estrada do Viegas, segue sem urbanização adequada. A consequência é clara: um território com vocação para o turismo cultural e gastronômico permanece subaproveitado.

E a pergunta que fica especialmente para os gestores públicos do município do Rio de Janeiro. Vai ficar assim até quando?

O Largo do Rio da Prata não precisa de promessas. Precisa de ação concreta, planejamento técnico e compromisso político. Transformar o espaço em um polo turístico, cultural e gastronômico não é utopia, é uma questão de prioridade.

Enquanto isso não acontece, o abandono segue como política silenciosa, e a história do lugar continua sendo escrita não pelo cuidado, mas pela omissão.

(Silmo Prata - jornalista, professor e agente cultural)

 












Comentários

Luciano disse…
Sempre falo isso do polo gastronômico 🫣
Jairo Luiz disse…
O Largo do Rio da, Prata pede socorro!!
Cleiton disse…
Que venham as transformações, mas que continue tranquilo!
Anônimo disse…
Mais do que uma restruturação, reconhecimento do local!
Idla disse…
Já está na hora das autoridades públicas olharem para o Rio da Prata de Campo Grande que tem um grande potencial histórico, cultural e gastronômico
Cida disse…
Lamentável!
Silmo Prata disse…
Temos que falar mais, até chegar aos ouvidos das autoridades.
Silmo Prata disse…
Precisamos de transformações, mas que elas sejam de agrado de todos.
Silmo Prata disse…
Vamos continuar lutando para que o Rio da Prata seja reconhecido como polo Cultural, Gastronômico e Turístico.
Andreline disse…
Que descaso com o nosso Rio da Prata!
Alzira de Mattos disse…
Só espero que não modifiquem o ar bucólico do local!
Idla disse…
O prefeito interino falou que vai marcar uma reunião para falar do Rio da Prata de Campo Grande. Vamos mostrar para ele a importância do Rio da Prata, suas belezas sua história e sua cultura. Isso é que tem que ser feito e não, deixar bonitinho e instagramável.