A recente
declaração do Prefeito interino, Eduardo Cavaliere, sobre uma suposta compra do
Teatro de Arena Elza Osborne pela Prefeitura do Rio de Janeiro causou surpresa
e indignação entre artistas, produtores culturais e moradores de Campo Grande.
O motivo é simples: segundo a família Macena, proprietária e responsável pela
administração do espaço, nunca houve qualquer diálogo oficial sobre o assunto.
A situação
levanta uma reflexão importante: onde estava o poder público quando o Teatro de
Arena Elza Osborne mais precisou de apoio?
Há poucos
meses, o espaço enfrentava sérias dificuldades estruturais. Sem ajuda
governamental, foram os próprios gestores, artistas, parceiros e a população
que se mobilizaram para manter vivo um dos mais importantes equipamentos
culturais da Zona Oeste. Graças a esse esforço coletivo, a lona foi
substituída, o espaço está sendo revitalizado e voltou a receber grandes
eventos culturais.
Um dos
exemplos mais marcantes dessa retomada foi a realização da FLIDIZO, que reuniu
artistas, escritores, músicos e produtores culturais da região em uma
verdadeira celebração da cultura local. E a resistência continua: em junho acontecerá o "Arraiá da Elza" e em julho, o
teatro sediará um grande festival de teatro, reafirmando seu papel como
referência cultural para a população.
Recentemente,
o Elza Osborne também firmou convênio com a Universidade Federal Rural do Rio
de Janeiro, ampliando suas possibilidades de atuação e fortalecendo sua
importância como espaço de formação, arte e cidadania.
O Teatro de
Arena Elza Osborne é pioneiro em Campo Grande. Sua trajetória está diretamente
ligada à história cultural da região. Por isso, a discussão não deveria ser
sobre a compra de um equipamento que já existe e resiste graças ao esforço da
sociedade civil, mas sim sobre a necessidade urgente de ampliar os
investimentos em cultura na Zona Oeste.
Campo Grande,
um dos maiores bairros do país, continua carecendo de equipamentos culturais
públicos compatíveis com sua dimensão populacional e sua enorme produção
artística. Há anos a população reivindica a construção de um novo centro
cultural, preferencialmente localizado na região central do bairro, com teatro,
salas de exposição, espaço para eventos, biblioteca, escola técnica de artes e
áreas voltadas para a formação cultural de crianças, jovens e adultos.
Com os
recursos que eventualmente seriam destinados à compra de um espaço privado, o
poder público poderia investir na criação de um equipamento cultural moderno,
democrático e acessível para toda a população.
A cultura da
Zona Oeste não precisa de promessas ou anúncios sem diálogo. Precisa de
planejamento, investimento e respeito aos artistas, produtores e moradores que
há décadas mantêm viva a chama da arte em seus territórios.
O Teatro de
Arena Elza Osborne não está à venda. Está vivo, ativo e em pleno processo de
fortalecimento.
Agora, cabe à
população permanecer vigilante, participar do debate público e continuar
reivindicando aquilo que Campo Grande merece: mais cultura, mais investimentos
e um novo espaço cultural à altura da força criativa de sua gente.
A resistência
cultural continua. E a luta por novos equipamentos culturais para Campo Grande
também.
Resposta de Ives Pierini - https://www.instagram.com/reel/DZXVtmLjCNA/?igsh=NGFtZHplN2l3eThj

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